A diástase é o afastamento dos músculos que formam a parte da frente do abdômen. Ela pode provocar abaulamento, diminuição da definição da cintura e sensação de fraqueza abdominal, afetando a aparência e a confiança no próprio corpo. Em algumas pessoas, também está associada à instabilidade do tronco e à dificuldade para sustentar movimentos e manter o equilíbrio durante atividades. Dores na coluna podem coexistir, embora não seja possível atribuí-las automaticamente à diástase. Por isso, avaliar a função abdominal é tão importante quanto avaliar sua aparência. [1,2]
A presença de hérnias associadas merece atenção especial. A diástase pode coexistir com hérnias umbilicais ou acima do umbigo, e essa associação precisa ser considerada no planejamento do tratamento. Quando uma hérnia contém uma parte do intestino, existe a possibilidade de aprisionamento e, em casos graves, de estrangulamento intestinal, quando o sangue deixa de chegar ao segmento preso — uma emergência cirúrgica. Esse risco pertence à hérnia, não à diástase isolada. Dor intensa, vômitos e um abaulamento endurecido que não retorna exigem atendimento imediato. [1,3]
A gravidez é uma das principais causas da diástase. No sonho compartilhado de um casal de ter filhos, é a mulher quem empresta o próprio corpo para acolher e desenvolver uma nova vida. Esse gesto de amor envolve mudanças importantes nos músculos, na pele e no contorno abdominal. É justo que, depois de cuidar de uma nova vida, ela também possa cuidar de si, com acolhimento e acesso aos tratamentos de que precisa ou que deseja. Recuperar conforto, função e confiança no corpo é uma escolha legítima, respeitando seu tempo e seus planos para futuras gestações. [2]
A correção deve ser individualizada: nem toda diástase precisa de cirurgia. Fisioterapia pode fazer parte do tratamento; quando há indicação cirúrgica, o objetivo é reconstruir a linha central do abdômen e tratar eventuais hérnias associadas. A cirurgia robótica é uma das opções em pacientes selecionados, permitindo realizar a reconstrução por pequenas incisões. No Grupo Vivere, a avaliação considera sintomas, anatomia, expectativas e planos de gravidez para definir a abordagem adequada, com uma conversa clara sobre benefícios, limitações e riscos. [1]
Referências
- Hernández-Granados P et al. European Hernia Society guidelines on management of rectus diastasis. British Journal of Surgery. 2021;108(10):1189–1191. doi:10.1093/bjs/znab128.
- Olsson A et al. Evaluation of functional outcomes following rectus diastasis repair—an up-to-date literature review. Hernia. 2021;25:905–914. doi:10.1007/s10029-021-02462-0.
- American College of Surgeons. Adult Umbilical Hernia. Material educativo para pacientes.